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Dia dos namorados

DIA DOS NAMORADOS E DA… DISFUNÇÃO ERÉTIL!

PROF. PEDRO VENDEIRA

 

Cá está ele de novo…

 

Comemora-se uma vez mais o dia dos namorados… e também o dia europeu da disfunção erétil!!!

Não sendo definitivamente a melhor altura para levantar questões de saúde, é sempre de salientar a necessidade de levantar o véu quando lidamos com situações tão delicadas como a saúde sexual.
A disfunção erétil é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a incapacidade persistente e recorrente para atingir e/ou manter uma ereção suficiente para permitir uma relação sexual satisfatória.

A sua prevalência aumenta significativamente com a idade, e não podemos esquecer que, devido ao crescimento global da população mundial associado ao aumento da esperança média de vida, a sua prevalência vai crescer de uma forma altamente progressiva, estimando-se que em 2025 o número de doentes com disfunção erétil rondará os 322 milhões (cerca de 152 milhões em 1995). Apesar de nos últimos anos se ter vindo a assistir a uma maior difusão nos media sobre este assunto, proporcionando uma melhor compreensão de uma doença (disfunção erétil), a verdade é que há ainda muito trabalho pela frente. É uma doença que afeta em Portugal cerca de meio milhão de homens, independentemente da sua gravidade (ligeira, moderada ou severa). Estes valores correspondem a cerca de 13% de homens com problemas de ereção, subindo para quase 24% se alargarmos a homens que tenham pelo menos uma disfunção sexual (libido, ereção, ejaculação ou orgasmo). 

A disfunção erétil, não sendo a disfunção sexual masculina mais frequente, é sem dúvida aquela que mais afeta negativamente a qualidade de vida do homem e consequentemente do casal. 

É reconhecidamente um problema generalizado de saúde pública, que pode ter um impacto importante na qualidade de vida e relacionamento das pessoas por ela afetadas. Este impacto na qualidade de vida do casal pode ser enorme, constituindo uma doença real, com repercussões a nível pessoal, social e profissional. Felizmente, a introdução de novas estratégias terapêuticas dotadas de grande eficácia e segurança, aliada a uma melhor difusão social possibilitando um adequado esclarecimento da doença como um todo, e desvanecendo progressivamente o estigma da vergonha, veio permitir uma melhoria significativa no procura do tratamento por parte destes doentes.
Existe uma associação muito forte entre a disfunção erétil e os fatores de risco cardiovasculares, e é absolutamente crucial ter a noção de que esta condição 

 

PODE ser a primeira manifestação de uma doença grave, constituindo um sinal de alarme extremamente importante de que algo não vai bem com a nossa saúde geral e não só a sexual. Quer as causas principais sejam de predomínio orgânico ou psicogénico, a maior parte das vezes são mistas. Dentro das causas orgânicas da disfunção masculina mais importante, os maiores fatores de risco são: idade, doença cardiovascular, aumento do colesterol no sangue, diabetes, efeitos laterais de medicações, tabaco, fatores psicológicos (nomeadamente a depressão), traumatismos, cirurgia pélvica, alterações neurológicas, alterações hormonais e aporte excessivo de álcool. Estes fatores devem ser despistados pelo seu médico e tratados de acordo. 

Desta forma, uma intervenção precoce não só permitirá tratar a disfunção erétil mas também travar a progressão de danos cardiovasculares. Para isso, ficar em casa não é opção – é necessário quebrar o gelo – HÁ QUE PROCURAR AJUDA ESPECIALIZADA…nem que para isso seja necessário ir ter com o seu médico, falar de tudo e mais alguma coisa e só depois no fim da consulta, queixar-se do que realmente o atormenta. Os medos são feitos só para serem enfrentados.

De facto, o termo impotência está hoje fora de uso pelo sentido pouco específico e pejorativo que representa, mas ainda consolida o facto de que apenas 10 a 15% dos doentes solicitam avaliação e tratamento médico, e, na sua grande maioria, meses ou anos após o início das alterações. O uso da Internet é de facto muito solicitado, não só por ser possível adquirir fármacos a preços mais baixos, mas sobretudo pelo anonimato que tal situação proporciona. Aqui há que mencionar os perigos de tal atitude ao adquirir o que não se conhece, se está ou não regulado ou supervisionado, e a ausência de qualquer tipo de responsabilidade.

O problema é que também a procura de assistência nem sempre é fácil, dado que a grande maioria dos médicos não se encontra preparada para lidar com problemas referentes à Medicina Sexual, por vezes não têm tempo (são consultas habitualmente mais demoradas), por vezes a sua própria vivência sexual os inibe de se envolverem em terrenos da sua própria insegurança!

Em todo o mundo fala-se sempre mais de sexo e prazer do que de disfunções, e neste dia em particular todo o mediatismo envolvente procura exacerbar estimulações de sentidos, erotismo, prazer, amor e sexo. Não vejo mal nenhum nisso, sobretudo se pensarmos que na era pré-tratamento eficaz da disfunção erétil (leia-se "o mundo pré-VIAGRA"), até falar abertamente de sexo não era tão banal como hoje em dia (pelo menos em público…). O problema é que como também somos uma raça disfuncional, precisamos de ajuda permanente em todas as áreas, mas nesta em particular somos confrontados com o estigma da vergonha e da relutância. 

 

E isto sim, é problemático, porque nos eleva ao patamar da oportunidade perdida, sobretudo quando a terapêutica farmacológica da disfunção erétil está hoje a ser amplamente utilizada, é eficaz e segura, acabando por constituir uma excelente arma de reforço na qualidade de vida. 

Com esta extrema mudança na sexualidade em geral, a que assistimos nos últimos 20 anos, e que acima de tudo se entrelaça não só nas novas armas terapêuticas, mas também na difusão de conceitos e no conhecimento mais (ou menos) esclarecido, urge encorajar a procura de auxílio capaz, não permitindo o arrastar nos anos destas situações até um ponto de não retorno, que vai transtornar de forma altamente significativa a estabilidade do casal.
A grande missão da Sociedade Portuguesa de Andrologia, Medicina Sexual e Reprodução (SPA) é:
"O desenvolvimento dos conhecimentos científicos no campo das funções sexuais e do sistema reprodutor masculino e da Andrologia em termos gerais, e fomentar o estudo, exploração, investigação, análise e tratamento das disfunções a eles associadas".

Muito há por fazer nesta área, desde promover o conhecimento das disfunções sexuais, estimulando a procura de ajuda e ainda uma correta formação dos profissionais de saúde de forma a estarem habilitados a responder às cada vez mais frequentes solicitações da população.

Está ao seu alcance…